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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O conde de Monte Cristo




Inocentes e culpados não são poupados quando a justiça vem acertar suas contas. Podemos olhar através desta visão o enrendo traçado por Alexandre Dumas no qual o sentimento constante de vingança  às vezes é o que mantém vivo certos homens. 

Quando Edmond Dantès, jovem marinheiro recém promovido a capitão e as vésperas de unir-se a bela Mercedes é acusado de conspiração bonapartista, estabelece-se um clima de tensão. Vítima da inveja de seus rivais cai em ardilosa cilada indo parar nas longínquas prisões de If. Sem saber o motivo de estar ali, o acerto de contas torna-se seu único motivo de viver encontrando no sábio Abade Faria um cúmplice de fuga , amigo de infortúnio e mestre para a vida. Faria não resiste e ao morrer destina ao jovem o tesouro escondido na Ilha de Monte Cristo.

Em liberdade, Dantès apodera-se da fortuna e com recursos, põe em prática seu plano de vingança. Ninguém é poupado.Todos pagam com juros os males que fizeram contra Dantès. Interessa observar que com as transformações no decorrer do livro, percebemos um conde que tenta justificar seus atos como desígnios divinos pondo em andamento a justiça de Deus até que, no ápice de sua ventura, percebe que para cumprir seu plano de vingança muitos inocentes são afetados, inclusive sua ex-noiva. 

Ajustada as últimas pendências e em reflexão profunda perante a conduta que vem tomando, repassa toda a sua fortuna ao filho do seu antigo patrão para que goze de dias prósperos  na sábia conduta dos bens doados em companhia da jovem Valentina na ilha de Monte Cristo enquanto se retira da sociedade para viver uma nova história de amor com Haydée. 

Impressiona a verossimilhança temática do livro com a vida real. O coração humano maquina incessante meios de arruinar seus rivais e com isso não calcula a dor e sofrimento que trará ao próximo. O homem é o único animal que trata o outro como um objeto e isso reflete em nossas atitudes todos os dias.

Recomendo a leitura atenta deste clássico universal habilmente concebido por Alexandre Dumas, escritor que não pode faltar na bagagem cultural daqueles que querem refletir sobre as misérias humanas.   

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As mil e uma noites



Viajar em tapetes mágicos, ser protegido por gênios, cair nas armadilhas de fadas ou feiticeiras. Homens viram animais e nós, mesmo adultos, nos tornamos crianças vislumbrados com as fantásticas histórias.Cada página uma façanha mais extraordinária que a outra.Tudo isso conduzido muito bem pela esperta Sherazade que utiliza deste artifício para livrar o reino da lei cruel imposta pelo sultão Shariar.

Após confirmar a traição de sua primeira esposa, Shariar manda executá-la e toma a resolução de desposar uma jovem a cada noite e nos primeiros raios do dia seguinte encarregava seu vizir de estrangulá-la. O decreto durou por algum tempo. As moças já não tinham esperanças, quando a filha do vizir ofereceu-se para desposar o sultão. O pai aflito tentou fazê-la desistir da idéia, por não querer dar o mesmo fim a qual dava a todas as sultanas. Por fim não a convenceu. Na verdade Sherazade tinha um plano para livrar todas as moças deste terrível destino e para isso contava com a ajuda de sua irmã Denazade. Combinaram de antes de o dia amanhecer Denazade rogaria ao sultão para que tivesse a honra de ouvir uma das fantásticas histórias de Sherazade já que a ela estava reservado tão cruel destino. Na noite de núpcias Denazade fez o que havia combinado com sua irmã. Sherazade começou a contar uma história interessante, mas foi interrompida pela chegada do dia que obrigava o sultão a sair para cumprir sua rotina. Nesse ponto, Shariar que foi tomado pela curiosidade, permitiu que sua esposa vive-se um dia mais, afim de que terminasse sua história. Tal artimanha durou noite após noite até que passado mil e uma noites ele resolve conceder a vida a Sherazade livrado seu reino do horrível jugo que havia imposto.



As mil e uma noites é uma coleção de contos da tradição árabe, onde agregam outras histórias e assim por diante, criando uma seqüência irresistível. O leitor tem a oportunidade de conhecer alguns costumes árabes, hábitos dos sultões e muito mais. Sem falar na riqueza das narrativas, recheadas de muita aventura e principalmente, imaginação.

Malba Tahan

Júlio César de Melo e Sousa (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1895Recife, 18 de junho de 1974), mais conhecido pelo heterônimo de Malba Tahan (Ali Iezid Izz-Edim Ibn Salim Hank Malba Tahan), foi um escritor e matemático brasileiro. Através de seus romances foi um dos maiores divulgadores da matemática no Brasil.
Ele é famoso no Brasil e no exterior por seus livros de
recreação matemática e fábulas e lendas passadas no Oriente, muitas delas publicadas sob o heterônimo/pseudônimo de Malba Tahan. Seu livro mais conhecido, O Homem que Calculava, é uma coleção de problemas e curiosidades matemáticas apresentada sob a forma de narrativa das aventuras de um calculista persa à maneira dos contos de Mil e Uma Noites. Monteiro Lobato classificou-a como: “... obra que ficará a salvo das vassouradas do Tempo como a melhor expressão do binômio ‘ciência-imaginação.’ Júlio César, como professor de matemática, destacou-se por ser um acerbo crítico das estruturas ultrapassadas de ensino. “O professor de Matemática em geral é um sádico. — Denunciava ele. — Ele sente prazer em complicar tudo.” Com concepções muito a frente de seu tempo, somente nos dias de hoje Júlio César começa a ter o reconhecimento de sua importância como educador. Em 2004 foi fundado em Queluz -- terra onde o escritor passou sua infância -- o Instituto Malba Tahan, com o objetivo de fomentar, resgatar e preservar a memória e o legado de Júlio César. Em homenagem a Malba Tahan, o dia de seu nascimento – 6 de maio – foi decretado Dia da Matemática pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

sábado, 28 de março de 2009

Os Sofrimentos do Jovem Werther




Os sofrimentos do Jovem Werther (1774), escrito pelo alemão Johnn Wolfgang von Goethe se destaca pelo tema e pela forma como o enredo é conduzido. O caráter intimista dado à obra, uma vez que o livro é composto por cartas e dados posteriormente acrescentados pelos seus conhecidos, nos dá a impressão de estar tomando posse do diário secreto de um sofredor que amou até a morte e já não vê esperança senão além das cortinas do túmulo.

O amor devotado por Lotte o faz venerá-la a ponto de considerar sagrado tudo o que ela venha a tocar ou as pessoas que estiveram em sua presença. Seus sofrimentos são causados pela falta de esperança com relação à Lotte e também pela culpa de estar interferindo no relacionamento dela com seu marido Albert. As palavras de Goethe foram tão profundas que muitos jovens sensibilizados com a história começaram a imitar Werther seja na roupa típica, casaca azul, colete e calções amarelos, ou nos atos culminando no suicídio, uma vez que sem a pessoa amada não valeria a pena viver. Não poucos foram os casos de suicídios na Europa.

O livro é considerado marco inicial do Romantismo e tem caráter autobiográfico fruto do seu amor por Charlotte Buff esposa de Christian Kestner. Escrito em apenas 4 semanas logo após seu aniversário de 24 anos, caiu na graça popular tornando-se o primeiro Best-seller da literatura ocidental e o mais importante sucesso do autor. Ao contrário de Werther, Goethe não cometeu suicídio, mas se inspirou em jovem universitário. Napoleão em certa ocasião lhe confessou que lera 7 vezes e até hoje é um dos 100 livros mais lidos do mundo.

Deixando de lado o senso comum em condenar os suicidas, atentemo-nos não ao fim, mas os caminhos que levaram até ele. O sofrimento daquele jovem que se sente irresistivelmente atraído por Lotte dar-se por um entrelaçamento de fatos que lhe atormenta o coração. O fato de ela ser comprometida, sua postura para com ele que não transparece em momento algum o que ela realmente sente por ele, a culpa por está entre Lotte e seu marido, a falta de perspectiva e total entrega do rumo de sua vida nas mãos da pessoa amada, os aborrecimentos com a vida profissional e a tentativa de afastamento proposto por ela. Tudo isso deixou rastros de pólvora em seu coração que apenas precisou de uma faísca para consumir tudo. Se não podia entregar-se ao amor, cairia nos braços sedutores da morte, que revestida pela esperança de apaziguar a tormenta da sua alma lhe restituiria a plenitude desejada fundindo-se com o infinito. Analisemos do ponto de vista psicológico para que tenhamos cuidado antes de por toda nossa afeição em uma única pessoa ou coisa. A vida é um grande cardápio, se um prato te fez mal ou não foi do seu agrado, sempre haverá outros para experimentar. Do livro, que a propósito adorei, guardemos o romantismo, com finais mais felizes. Boa leitura!


Personagens Principais:
Werther
- Personagem principal,inspirado em Goethe
Editor - Criado por Goethe, organizou as cartas do livro
Charlotte - Amada de Werther, noiva de Albert
Albert - Noivo de Charlotte, foi normalmente contrário aos pensamentos de Werther
Wilhelm - Para quem as cartas em sua maioria são mandadas, amigo de Werther

O livro que li é de tradução de Erlon José Paschoal do original “Die leiden des jungen Werthers” 4ª edição, São Paulo, editora Estação Liberdade, 1999